terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
O deslocamento do Inconsciente
“A substituição de um significante por outro,
na base de uma relação de similitude, constitui a metáfora.”
Jacques Lacan
Um corpo é o que nós somos. Nada mais.
Quando nos ensinam a olharmo-nos no espelho é para que tenhamos noção de uma unidade onde reina na aparência (ou seja, no rosto) o aspecto que pode enunciar a diferença étnica-cultural, e não o corpo e sua tenacidade, estes também, mas não como critério. No mundo externo é tudo sob comando da consciência, o corpo é subordinado até que ele “reaja” contra esta servidão. Ou seja, renuncia o espelho. Estar livre para se sentir, apesar de isso só acontecer nos sonhos, na vigília, ou será que até ai a com menos freqüência, atividade da consciência?
A experiência de sempre nos ver sugere uma demonstração de servidão do corpo a esta consciência. Quem digita este texto por exemplo, e pensa antes de digitar, para digitar o que já está pensado e deixar que estes pensamentos se tornem verdades eternas, que poderão ser então vividas várias vezes, e assim somos capturados por este dilema : não somos o que pensamos, somos o que sonhamos ser, essa é a vitória da consciência, ela se antecipa ao corpo , carregando os impulsos de simbologias representadas externamente retidas na memória, projetadas para um amanhã , assim dominando e escravizando o corpo sempre num futuro distante.
Mas isso pode ser sua possível derrota, mesmo parecendo vitória, pois assim que ele se sente cansado de obedecer, a revolta pode ser fatal! Um corpo atingido de fora pela consciência pode se enrijecer e se auto-destruir como forma de finalizar sua dor, e isso é inconsciente! Quando nos enfeitamos , é a consciência nos enfeitando , enfeitando o corpo para produzir, sensualidade aos gestos deste corpo, (para que ele permaneça esquecido e não a consciência) aonde ela se diverte com os signos dependendo da ocasião, a um para cada termo, para cada relação com o outro, muitas vezes obstruindo o fluxo de acoplamento do corpo com a natureza (morar em edifícios, lugares muito urbanos), sexual e alimentar para dar mais tempo a seus brinquedos ( computadores , cargos , funções , carros e outras tantas ilusões) que de nada são úteis ao corpo naquilo que ele “realmente” precisa que é sua natureza.
Podemos escapar disso , quando olharmos ou até mesmo sonharmos acordados , como numa reflexão de si , algo como somente teu corpo se mexendo , andando e fazendo gestos – como num corpo dormindo - mas se acordado faz tudo muito parecido, os mesmos gestos, só que guiado pela consciência, que designa as atividades escravagistas a que o corpo é submetido quando sai do estado de inconsciência , ou seja ausência de freqüência máxima no sistema nervoso, na hora em que segundo estudos em neurologia ocorre a vigília, aquela alteração nos olhos freqüentemente , sem cessar, ali vive o inconsciente , que é o laboratório da consciência.
Por isso a máxima da filosofia de Nietzsche após a lucidez do eterno retorno, “Viva de forma que queiras viver mais uma vez, uma vez mais”, pois, sim é isso, assim coordenamos nossa consciência, consciente, para uma forma de viver , que produza mais vida, vivacidade deste corpo, unidade única da fábula do “eu”. Somos os mesmos animais ainda, mas nosso corpo foi que nos mudou e agora quase sem pêlos praticamos as mesmas coisas de outrora, mas que por possuir memória e reflexão, inventa maneiras diversas de divertir a consciência, (trabalho fabricação de ferramentas como o computador) enquanto ela não se torna inconsciência, neste estado pode ser fixado o signo e quanto mais a freqüência for igual , mais sólido ele fica , esta é a pedra angular da consciência e de cada estado consciente. Quando procuramos através desta consciência estabelecer por critérios conscientes, qual rumo tomar em nossas vidas (corpo), o preposto busca nas alternativas mais sólidas, pois, as que ainda não se formaram por completo não oferecem segurança ao sistema da consciência, ficando para ser refletidas dia a dia.
Tudo fora de nós é uma invenção da consciência, (a única coisa real é o comer, beber relações sexuais, ou seja, contato, acoplamento) para que ela possa sair da clausura do corpo, até por isso queremos tanto ir longe ao universo, para tentar transcender a consciência e eliminar o corpo, assim parece que inventamos a alma também. Mais leve em detrimento do corpo que é um peso a ser carregado. Eis o valor que damos a consciência, casa da neurose e de outras possíveis ilusões de caráter , personalidades seja o que quer que for é consciente apenas , mas é tudo corpo realmente!
P.S Quando me refiro a consciência, falo da constituição simbólica dos signos do cotidiano reunidos nesta semiótica que é a consciência.
Primeiras anotações sobre a Ética de Spinoza
Um olhar por cima sobre a teoria da substância ou “A manta que envolve, mas não encerra”
• Como substância representativa do “todo”, pura imanência perpétua de energia, Deus está além das explicações possíveis do intelecto, mesmo por que este foge a sua “significação inicial”(não é possível descrever aquilo que não foi vivido) pois, se refere sempre a seus afetos (afecções) e a essência (sentido) contida no mesmo, da qual nossa linguagem cria simbologias, onde se realiza a interação com o mundo e desta interatividade, criamos a necessidade do “entender” pela consciência. Podemos acolher a idéia de que a alma humana está no intelecto, o corpo por sua vez é contido por uma infinidade de corpos ligados entre si numa luta incessante pela “sobrevivência” da estrutura.
• A imanência a qual Deus é significado por Spinoza orienta-nos a perceber “aquilo que envolve”, ou usando analogias, como se a substância infinita (Deus) fosse o Oceano e nós e as coisas, aquilo que é envolvido pela água. Não há necessidade de se procurar saber que na água os seres não a percebem no seu contexto de “partes dela”, apesar de necessitarem dela para ser e existir. No caso de nós e outros seres, esta mesma alegoria, pode ter o significado “divino” anteriormente descrito. Não vemos, não podemos tocar, não queremos perder a confiança, mas duvidamos, e queremos sempre buscar... num calar infinito Deus é a vida e esta é a sua substância infinita, em suma não é o homem, este é finito, nem mesmo tem esta ou aquela aparência, não é um Todo-poderoso , é sim o próprio “poder” da natureza criadora de “vida” . Esta distinção com homem está ligada ao simples fato de que o homem procura antes de tudo imitar... e “Deus” criou, louvado seja aqueles que Criam...seria uma conotação mais próxima da Grande Força.
• Devemos no ater a um ponto de vista interessante, de que Espinosa não parece ser de modo algum Panteísta, creio mais profundamente na sua orientação espacial e visão da totalidade como algo completamente “natural”. Sua expressão “Deus” é a palavra esotérica para Natureza e suas continuações infinitas. Por que se acaso fosse, não haveria de buscar formulas proposicionais tão geometricamente exatas para elucidar algo que é infinito em sua extensão, e ainda não sensível.
Olho Filosófico
Perceber é a preferência.
Entender requer “sentidos”.
As coisas são móveis na interação com elas.
Qualquer figura tem ajustes
temos apenas “poucos” olhos e
mesmo que venha a perscrutar
a extensão quer continuar...
Vemos uma semente irromper o chão
e é assim que tragamos o futuro
se não regarmos o presente
calaremos na surpresa seguinte.
Por isso perceber é um limite louvável
a andar por ai apenas provendo-se do que a natureza propõe.
“Nenhuma semente preferiu ficar na casca”!
DERIVAÇÕES POSSÍVEIS DO ENTENDIMENTO ELEMENTAR
* Estado de natureza = subordinação , pois , existe o fator rigoroso da distinção entre os seres;
DERIVAÇÕES POSSÍVEIS
* Estado social = interrelação entre os seres dotados de razão, relação de potências individuais num contexto coletivo para formar ou dar forma ao campo político;
- Para isso as potencias individuais terão que ser coabitadas pela noção absoluta de Estado (democracia) , pois, a dificuldade em separar o que é público e privado vem desta falta, existe uma tentativa de igualizar potências individuais, o que é absurdo.
*Igualdade de direitos perante a lei orgânica;
*Fraternidade das diferenças;
*Humanidade se insere na concepção absoluta de Estado democrático, pois, a potência de agir do dirigente do Estado é coletiva;
- A igualdade de "raças" num determinado País se dá na instrumentalização da lei. A Ordem é esta instrumentalização, que gera por si só o Progresso constitutivo da nação, preservando potencias individuais na perseverança da potência coletiva.
- O "tributo" é a contrapartida da existência individual dentro do coletivo que dá direito a existência individual(privada) , por isso a interferência privada só pode ter sentido se relacionada com a participação no que se refere ao "tributo", ou seja, é uma contrapartida para ordem coletiva, numa forma de cooperação para a ordem das infraestruturas;
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DERIVAÇÕES POSSÍVEIS
* Estado social = interrelação entre os seres dotados de razão, relação de potências individuais num contexto coletivo para formar ou dar forma ao campo político;
- Para isso as potencias individuais terão que ser coabitadas pela noção absoluta de Estado (democracia) , pois, a dificuldade em separar o que é público e privado vem desta falta, existe uma tentativa de igualizar potências individuais, o que é absurdo.
*Igualdade de direitos perante a lei orgânica;
*Fraternidade das diferenças;
*Humanidade se insere na concepção absoluta de Estado democrático, pois, a potência de agir do dirigente do Estado é coletiva;
- A igualdade de "raças" num determinado País se dá na instrumentalização da lei. A Ordem é esta instrumentalização, que gera por si só o Progresso constitutivo da nação, preservando potencias individuais na perseverança da potência coletiva.
- O "tributo" é a contrapartida da existência individual dentro do coletivo que dá direito a existência individual(privada) , por isso a interferência privada só pode ter sentido se relacionada com a participação no que se refere ao "tributo", ou seja, é uma contrapartida para ordem coletiva, numa forma de cooperação para a ordem das infraestruturas;
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Comentário inicial sobre Spinoza.
Uma pretensão de desnudar uma das mentes mais lúcidas da filosofia, mas tenho comigo um argumento interessante.
A Ética, livro de Espinoza , o qual comuniquei anteriormente algumas indagações a respeito da imanência, reflito então que a maneira com que Espinoza enlaça sua teoria, são na verdade conceitos que vão se potencializando, por isso ele designa pela ordem matemática, pois, todos tem ligações, a formulação de cada parte , remete a argumentos anteriores, numa relação próxima ao que denominamos processo histórico, para que assim desta maneira haja exatidão da preposição, ou seja, para sua potência efetiva. A interpretação é na verdade uma "vitamina" dos conceitos, este fortalecimento gera uma força que se isolar qualquer preposição de sua definição antecedente se torna vazia. Assim a ética é a potência da vida em devir. Seria muito próximo ao *sujeito epistêmico de Jean Piaget, pois se um homem ou uma mulher se isolar, fatalmente não terá continuidade.
Um Exemplo seria o conceito de Corpo, que outrora rejeitado por explicações imaginárias ou metafóricas da religião se deteriorava mas que com a ciência seu conceito se potencializou, não é atoa que vivemos muitos anos a mais do que séculos passados. Isso é a potência em devir da interpretação, pois, a interpretação de um conceito não anula sua verdade, e sim o potencializa na procedência de sua análise, o significante é a ligação para o conceito não se fechar. Por que a vida é a mesma potência, a infinitude da natureza. Desta forma a Geometria daria uma sequência com coerência em perspectiva, para que a iluminação das coerências não decaia, em certo sentido, no que se diz respeito a construção de cada entidade humana e suas obras...nada é por que tal e tal elemento se combinou , no nosso caso, mas sim por que nós assim fazemos e fazemos sempre com construtivismo no argumento e não argumentos meramente postos sem que um não seja "ligado" ao outro ou que não nasça de um mesmo aspecto que cria a possibilidade adiante.
* A relação com o objeto de entendimento é a construção do conhecimento no ser biológico.
* A relação com o objeto de entendimento é a construção do conhecimento no ser biológico.
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