terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Primeiras anotações sobre a Ética de Spinoza


Um olhar por cima sobre a teoria da substância ou “A manta que envolve, mas não encerra”



Como substância representativa do “todo”, pura imanência perpétua de energia, Deus está além das explicações possíveis do intelecto, mesmo por que este foge a sua “significação inicial”(não é possível descrever aquilo que não foi vivido) pois, se refere sempre a seus afetos (afecções) e a essência (sentido) contida no mesmo, da qual nossa linguagem cria simbologias, onde se realiza a interação com o mundo e desta interatividade, criamos a necessidade do “entender” pela consciência.  Podemos acolher a idéia de que a alma humana está no intelecto, o corpo por sua vez é contido por uma infinidade de corpos ligados entre si numa luta incessante pela “sobrevivência” da estrutura.

A imanência a qual Deus é significado por Spinoza orienta-nos a perceber “aquilo que envolve”, ou usando analogias, como se a substância infinita (Deus) fosse o Oceano e nós e as coisas, aquilo que é envolvido pela água. Não há necessidade de se procurar saber que na água os seres não a percebem no seu contexto de “partes dela”, apesar de necessitarem dela para ser e existir. No caso de nós e outros seres, esta mesma alegoria, pode ter o significado “divino” anteriormente descrito. Não vemos, não podemos tocar, não queremos perder a confiança, mas duvidamos, e queremos sempre buscar... num calar infinito Deus é a vida e esta é a sua substância infinita, em suma não é o homem, este é finito, nem mesmo tem esta ou aquela aparência, não é um Todo-poderoso , é sim o próprio “poder” da natureza criadora de “vida” . Esta distinção com homem está ligada ao simples fato de que o homem procura antes de tudo imitar... e “Deus” criou, louvado seja aqueles que Criam...seria uma conotação mais próxima da Grande Força.

Devemos no ater a um ponto de vista interessante, de que Espinosa não parece ser de modo algum Panteísta, creio mais profundamente na sua orientação espacial e visão da totalidade como algo completamente “natural”. Sua expressão “Deus” é a palavra esotérica para Natureza e suas continuações infinitas. Por que se acaso fosse, não haveria de buscar formulas proposicionais tão geometricamente exatas para elucidar algo que é infinito em sua extensão, e ainda não sensível.

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